domingo, 23 de março de 2025

ode a aquarii

cá estou, aqui, só
e sozinho caminho
nas ruas da solidão relembro quando
estive cercado de calor
e mesmo assim sentia frio

olho para frente e vejo o mesmo
que enxergo quando olho para trás
divago enquanto vago, pensando
sempre o que me impele a continuar mas

continuo a seguir, nunca desisto, não paro
um pé atrás do outro, apenas um par
pois as quatro patas não ouço mais
foi quando comecei a andar, quando perdi quem era meu lar

ouço um trinado, uma ave sobrevoa minha cabeça
leva alimento a seus filhotes, ao ninho
cá estou, faminto, só
e sozinho caminho

já tive um par negro, um par moreno, um par loiro
agora apenas meu fardo, meu par, um após o outro
respirando de quatro em quatro
é o que me impede de ficar louco

a música que o silêncio traz é um latido
o som da solitude me preenche o vazio
o vento lembra o barulho que o uivo faz
quantas saudades e em desespero, rio

embriagado para esquecer, para não lembrar
afoguei minhas mágoas em barato vinho
cá estou, ansiando por ti, só
e sozinho caminho

lembro-me do dia que te conheci
conversamos no caminho de casa
explicando como seriam nossas novas vidas
você me olha, me lambe e me abraça

a chuva torrencial cai
caminho, ando, corro, respiro
o doce aconchego da minha cama
vazia, eu sei, eu tentei, suspiro

sonhando com seus beijos, com seu cheiro
com seu doce toque, seu carinho
cá estou, sem você, só
e sozinho caminho

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