quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Cometi um engano.

Eu achei que falar contigo ia deixar as coisas mais fáceis. Porém era mais fácil quando eu pensava que você me odiava.

E o pior: eu lembro de tudo.

Do primeiro encontro, com cerveja, batata frita e praia. Luar e um esconderijo atrás de um quisque fechado.
Do primeiro beijo, do meu coração batendo forte, do seu riso, do seu toque.
Da ida na areia da praia, dos almoços no shopping, do jantar, do pedido de namoro.
Eu passo nos lugares nos quais estivemos juntos e dói demais.

Dói não lembrar de qual foi nosso último beijo. Eu achei que era besteira. Mas dói mesmo.
Aos prantos eu admito que queria mais uma chance, mais uma última tentativa, uma de verdade.
Mesmo com o orgulho ferido e quebrado, mesmo com tudo que aconteceu da última vez.

Eu lembro de tudo.

Das video-chamadas, das ligações longuíssimas, da sua voz ao telefone dizendo maravilhas.
Dos abraços de saudade na chuva, do curativo na perna, das mãos dadas.
Da ida ao médico, dos olhares de amor, das palavras não ditas.

Eu ainda amo você.
Você nunca acreditou. E como poderia? Você nunca deixou eu te amar. Você nunca se permitiu me amar. Você. Logo você.

Valente, independente, cheia de atitude e iniciativa.
Uma loirinha medrosa que já sofreu antes, temendo nova dor.
E eu tenho certeza que estaria te fazendo imensamente feliz.
Você não faz idéia do quanto a amo.

Eu lembro de tudo.

Lembro de todos os términos.
Das três vezes que você me dispensou.

Nós não tentamos. Eu só queria uma chance. De verdade, sem medo, sem receio, com o coração aberto.
Uma chance que nunca virá.

Eu amo você.
Mas não queria amar.
Eu poderia.
Eu iria.

Mas nós não vamos ter amor.