terça-feira, 27 de abril de 2010

condenado.

Como mudar o passado?
Arrependimento não muda o feito.
O problema é que nunca se aprende com o erro.
Quisera que fosse diferente.
Quisera que dançasse a lua cheia numa piscina vazia.
Quisera que nunca tivesse acontecido a escolha.
Mas agora é tarde, tarde demais para voltar.
O tempo é uma face na água.
E o mar tem infinitos rostos gritando,
gritando com vozes ecoando.
Aquelas vozes condenadas.



(perdão, eu lhe peço, eu lhe imploro).

segunda-feira, 26 de abril de 2010

a desordem do blues.

Eu sou apenas mais uma cabeça vazia.
Eu sou uma chaminé acesa por um isqueiro.
Eu sou o longo e tortuoso caminho errado.
Em uma mão tenho uma garrafa vazia.
Na outra uma prova da ilusória força de vontade.

Carrego o vazio em meu coração.
E nos pulmões a fumaça é a companhia cardíaca.
Sinto-me velho como um esqueleto decomposto.
Eu só não sei para onde ir.

O pó sai de minhas mãos num troféu apagado.
Seja mais uma, só mais uma vez,
a prova de minha fraqueza.