Certa vez, perdido em devaneios
encontrei-me surrado aos frangalhos
solitário como deserto
grão de areia sem oásis
estará você orgulhosa, mamãe?
conte-me mais uma vez
a parábola do filho pródigo
e explique-me quem sou
a ovelha branca ou o porto na tempestade
com minha excreta escrevi
cartas e juras de amor
numa poesia solitária
o aroma fecal importa a mim
num banho de luzes distantes demais
para alcançá-las
encontrará-me aqui
deitado nesta poça de sangue?
enquanto o papel que contém meu poema
é destruído pela chuva que cai
e cai
e cai
devagar.
minhas palavras, meus pensamentos
meu devaneio enevoado
conseguirei eu distinguir
a realidade da ilusão?
minhas entranhas saltam
estão bem debaixo do meu nariz
meu organismo frágil pede socorro
há alguém para acudir?
cá estou novamente
impotente ante a enxurrada iminente
com toda a escuridão ao meu redor
mamãe, mamãe querida
salve-se de minhas trevas.
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
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